E S Q U I Z O F A S I A

É uma expressão criada por Kraepelin para designar uma profunda alteração da expressão verbal, observada em alguns esquizofrênicos paranóides, em resultado da qual a linguagem se torna confusa e incoerente, sem que existam alterações graves do pensamento. Em sua forma bem acentuada, a linguagem se apresenta como uma salada de palavras, em que o enfermo emprega neologismos e palavras conhecidas com sentido desfigurado, tornando o discurso inteiramente incompreensível.

S P R A C H V E R W I R R T H E I T
La estructura de este delirio muestra una gran perturbación que puede corresponder al Lenguaje o al Pensamiento, con Agramatismo; Trastorno Paralógico; Pararrespuestas y -por momentos- Incoherencia marcada. El curso es variable, pasando del “estilo telegráfico” a la “ensalada de palabras”:

“No quiere; necesito una chica; gente mala; necesito venir conmigo; es fácil; no tiene que ser pistolero. Herencia, poder, partidos políticos; conozco los colores; la gente te mira, sopla; hay otro bueno, llama sopla Mafia; telequinesia; cruz blanca; malo, bueno; ayudar; la República Argentina te defiende; no te toca nadie; en Chile son peligrosos las líneas de Ushuaia”.

“Estoy por la política, el gobierno, los militares, las Malvinas, “tecosetra” (parafasia por: “te concentra”); hay que tener fuerza; tome agua de lluvia; yo dejé de trabajar porque me envidiaban. Trabajaba de albañil, carpintero; perros, víboras, me quieren eliminar; si uno no te quiere porque anda con muchas mujeres; mi hermano… no se puede hablar, es muy peligroso; quiero una chica, una enfermera, cualquiera; usted conoce la herencia, es gente que no come bien, no se sabe alimentar. En invierno hay que usar lentejas, un pan lactal y un vaso de leche”.

Estos trastornos son correspondientes a los que describe la escuela alemana desde KRAEPELIN como “Sprachverwirrtheit” (confusión del lenguaje) o con BLEULER a través de un término menos alemán como “Schizophasie” (esquizofasia).

E S C R I T A . A U T O M Á T I C A
O Surrealismo pregava a revolta contra tudo aquilo que reprimia a liberdade. E nada é mais livre que os nossos sonhos, nosso subconsciente. Assim, imagens visuais do subconsciente são usadas sem qualquer intenção de realizar um trabalho artístico lógico e compreensível. O subjetivo e o ilógico acima de tudo. Imagens incongruentes deveriam aflorar da imaginação. O automatismo psíquico “ditava as regras”: filtros ou qualquer outro tipo de censura ao inconsciente não eram admitidos. Valorizava-se o sonho, o devaneio, a loucura. Só com mudanças psicológicas profundas no indivíduo é que se poderia chegar a uma verdadeira transformação social e política – como transformação social e política, entenda-se acabar com o capitalismo.

Um “método” bastante empregado pelos surrealistas foi a “escrita automática”. A escrita automática consistia em escrever tudo aquilo que vem à mente, sem cortes. As associações de idéias mais obscuras e ilógicas então apareceriam.

Sobre a escrita automática, há uma passagem bastante curiosa envolvendo André Breton e Otavio Paz:

No final da vida, André Breton recebeu o jovem poeta mexicano Otavio Paz, que, intrigado, perguntou:
– O que o senhor está fazendo, mestre?
– Escrita automática.
– Mas vejo o senhor usar a borracha a todo o momento.
– Ainda não está muito automática.

[Retirado do jornal O Globo, 19/ 08/ 2001]

P O R É M
Em 1955, na Universidade de Manchester, um robô escreveu uma carta de amor, facilmente aceita como exemplo de escrita automática realizada por um surrealista talentoso.

E . D A Í ?
Daí que nada mais adequado a esses tempos de internet em que um link bizarro te leva a outro site bisonho e um pensamento vai a outro de forma torta e miríades de informações flutuam frente a seus olhos como lutadores de sumô em florestas de bonsais do que a linguagem esquizofásica a escrita automática e a ironia de um robô escrevendo cartas de amor.
É isso.

Ou não.

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