Pragmatismo vem de berço

minha mãe abrindo crediário na renner;
atendente: ‘casada?’ ‘sim’;
‘tem filhos?’ ‘não’
eu: ‘mãe!’; ‘ah é, tem ela.’

justificativa: ‘ah, a moça perguntou se eu tinha filhO’

Se eu quiser falar

– Ian, como é que você fala com Deus?
– hm… uso o céu-lular. quer saber como eu falo com o Diabo?
– como?
– uso a infernet.

 

[Ian, 10, e sua avó, discutindo teologia e tecnologia]

Vagalumes ensandecidos dizem here’s johnny

[assistindo Animal Planet]

– Ian, sabe o q é ‘bioluminescência’?
– Não.
– Pensa na palavra: bio…
– Vida…
– Isso. Luminescência…
– … iluminado?
– Isso, então ‘bio-luminescência’ são…
– … larvas com um machado?

Das coisas que gosto de escutar

Aninha, 13: ‘Não sei por quê, mas na festa Junina dessa escola o pessoal do G2 [colegial] é o q mais se diverte. ‘
Ian, 10: ‘Deve ser porque eles já podem tomar caipirinha.’

* * *Ian: ‘Sabe por que não ligo pra futebol? Porque por exemplo: se o Santos ganhar do São Paulo, não quer dizer que Santos vai INVADIR São Paulo. Daí não acho importante. ‘

* * *
Eu: ‘Hmmm, então você já tem namorada?’
Ian: ‘Sim.’
Eu: ‘E como ela é?’
Ian: ‘Ah. Loirinha…’
Aninha: ‘Ian. Ela é ALBINA. Não ‘loirinha’. ALBINA.’

* * *
Ian: ‘Sabe qual ia ser a primeira coisa que eu ia fazer se eu fosse pra um lugar onde NEVA?’
Aninha: ‘O quê.’
Ian: ‘Passar a LÍNGUA NO GELO’
Aninha: [abraçando o irmão] ‘É POR ISSO que eu TE AMO’

a humanidade não decepciona

Praça do Pôr do Sol, 17:45

– mãe, só vamos embora depois que o sol for né
– só vou embora depois que baterem palmas

[palmas]

– mãe! (espantada) como você sabia?
– ora (ar de superioridade). sabemos de tu-do.

[mais fácil que tirar doce da mão de criança, convenhamos]

negóss de família

– ah, aquela mulher, o pessoal foi na casa dela, vixe, muito estranha.
– é? estranha tipo como?
– ah… não tinha filho. disse que nem queria ter, que não gostava.
– nossa, hein.
– pois é. eu, se tiver dinheiro vou querer ter uns quatro, cinco.
– vige, hahaha, vai estragar a tua Alinezinha.
– haha, estraga nada méu. minha vô teve sabe quantos? DOZE.
– doze, vixe.
– falou que foi indo, foi indo, daí foi isso.
– nossa, é muita gente, não?
– e uma mulher lá da cidade da minha mãe que teve VINTE E DOIS, acredita?
– nossa, foi o quê, um por ano?
– pois é. e alimentar tudo isso?
– ôxe. haja farinha!

#diálogosnobusão

E NO ENTANTO NADA IGUAL


leia na minha camisa: i love you

e é sempre outra cidade
vou escrever uma frase pra ler ao acordar
pensei em ‘vivemos na melhor cidade’…
uma coisa bem beeeeeeeeeeeibe

assim você me comove
é tão bonita essa música
acho que foi a primeira música que eu achei muito bonita na vida
e por causa desse verso, da melhor cidade da américa do sul
eu me perguntava: mas gente! que lugar é esse
? que lindo!

Eva_it’s alright, ma, it’s life, and life only:
eu te contei dessa musica já?

nunca
conta

sabe na paulista, perto da brigadeiro luis antonio, tem um predinho com tijolos vazados amarelos – não sei explicar bem os tijolos, são de uma época, x. quando você passar por eles vai reconhecer.
eu tinha acho uns sete anos, tinha acabado de chegar no brasil
estávamos meio de favor aqui e ali, não lembro bem onde, mas era nessa área – comprávamos coisas pro café da manhã no jumbo eletro e saíamos pra andar
eu sempre usava umas camisetas brancas do meu pai como vestido
com um cinto vermelho de verniz
e lembro do sol da manhã batendo no rosto, na paulista
(o sol nas bancas de revista)
de olhar pra cima, pensando ‘UAU’.
‘a melhor cidade, a melhor cidade’
não sei da primeira vez que ouvi;
mas lembro desse momento, de ter sete anos e ter entendido tudo:
do sorvete, da lanchonete, do azul
da paz da cidade, da MELHOR cidade
dos tijolos amarelos e o sol batendo nos carros, a gasolina
e a camisa, e a cidade
a melhor cidade da américa do sul*

***

VOCÊ PRECISA
em um dia TIPICAMENTE PAULISTANO; que começou ensolarado, choveu, estiou; em um bairro em que foram ocupados absolutamente TODOS os lugares pra estacionar; em um parque de importância histórica às margens de um RIO MORTO; em meio a CINQÜENTA MIL PESSOAS que ilustrariam até pra um extraterrestre a verdadeira acepção da palavra DIVERSIDADE: freaks, modernos, góticos, goas, hippies saídos de alguma câmera criogênica setentista (‘me acordem quando os mutantes se reunirem de novo’); de dreads, chapinha, trancinhas, chapéus, moicanos, gorros, bandanas, turbantes, bonés; cantando, dançando, andando de skate, namorando, jogando bola, com os filhos, correndo, fazendo malabarismo, subindo nas árvores, vendendo artesanato, fumando, a maioria ENCHENDO A CARA do vinho mais BARATO que eu já vi, MIJANDO no lugar errado, pessoas comuns na área vip, VIPs enfrentando a fila da entrada por horas (ah, as tradicionais FILAS paulistanas); e depois de assistir o doido Tom Zé loar a CAGANEIRA de Dom Pedro I, incitar a turba a protestar contra a globalização, contra o prefeito, contra o BUSH e contra a globo, que obviamente registrava tudo, só posso chamar de EPIFANIA o que eu senti ao ouvir os versos acima citados serem ENTOADOS, pelos sensacionalíssimos renascidos MUTANTES e por milhares de paulistanos – de nascença, por destino ou opção – bêbados, desafinados, emocionados, todos juntos somos nós, REUNIDOS, uma pessoa só, por ELES que sim, seriam e sempre serão: a tua MAIS PERFEITA tradução.

baby, baby, eu sei que é assim.

P.S.: Rita quem?

It’s very nice pra chuchu

It’s a hard rain’s a-gonna fall

– e se a gente jogasse a canela e o açúcar junto com o bolinho no óleo? grudaria melhor…
– hm, não acho que jogar açúcar direto no óleo seja uma boa idéia… não sei bem que reação pode dar…
– no Clube da Luta, o Tyler diz que dá pra fazer todo tipo de explosivos com ingredientes que qualquer um tem na cozinha… será que dá pra fazer uma bomba com acúcar e óleo fervendo?
– … não sei aninha, mas esse é o tipo de idéia que eu não gostaria que você tivesse, ok?
– ok, mãe.

TOO MUCH COFFEE

Eva_tout est factice diz:
lalalalalala
Eva_tout est factice diz:
(sorry, nao dormi NADA essa noite, não fumo há quatro dias e estou em estados alternados de consciência)
|zm| diz:
alternados ou alterados?
Eva_tout est factice diz:
alterados e alternados
Eva_tout est factice diz:
tive uma discussão de relacionamento com um robô

VICIADAS EM HORÓSCOPO, É

– o astro.com me diz “Tenha cuidado para não se envolver com pessoas negativas que não desejam conversar sobre os problemas delas de uma maneira racional.”

– entao nao se envolva comigo hoje, olha o meu: “Talvez expresse mais seus impulsos e pulsões inconscientes que mensagens lógicas e racionais”

– ok, então tchau

– tchau

O TEMPO E O VENTO

– ei, quanto frio que tá?
– tipo bem frio
– o que é ‘bem frio’ pra vc?
– tipo eu estou de casaco
– (…)
– o casaco que eu reservei pra um eventual inverno nuclear
– entao deve estar bem frio mesmo

RESSACA

– sabe. a vida é um ipod shuffle.
– nem fudendo. a vida é um discman com a pilha fraca. e sem sistema anti choque.
– hahaha. não, é sim. olha: a gente não pode escolher a ordem das músicas, nem sabe qual vai ser a próxima a tocar. é um ipod mesmo. só que com a pilha fraca; fica bagunçando tudo, e…
– não, eva. a vida é uma vitrola com a correia frouxa.
– é, tem razão. e com a agulha zoada.

Que me queima por dentro, será que me dá

– você tá atrasado. o que aconteceu?
– cara, tô mal (ofegando).
– mas o que você está sentindo?
– uma falta de ar, cara.
– falta de ar?
– é. uma dor aqui, ó (bate no peito). dói, cara.
– porra. quer ir pro hospital?
– não, cara. não é isso.
– mas o que está acontecendo???
– uma dor, como é o nome disso. tem um nome, cara (ainda batendo no peito).
– o quê? arritmia? taquicardia? vamos pro HC.
– não cara, é… como chama… aquilo, pô… é… angústia!
– ah. tá. err… bom. menos mal… acho.

FINADOS

[14:57:03] acho q vou no cemiterio agora ver algum morto
[14:58:08] tipo, algum morto conhecido?
[14:58:11] nao, desconhecido mesmo
[14:58:18] assim nao choro
[14:58:22] BOA
[14:59:03] quem dera minha familia estivesse enterrada no araçá… provavelmente teriamos uns imóveis na vila romana e nos jardins… um sítio em atibaia e uma boa briga de familia pela herança… e uma ou outra tia decadente e solteirona viciada em bingo…
[14:59:42] e onde tá enterrada?
[14:59:53] sei lá onde… em varios lugares… eu nao tenho familia ou eles sao imortais

MAIS UMA DE AMOR

– Mas é um cabra safado mesmo. Tem quatro ex-mulé, tudo atrás de tu. Tuas ex-mulé tá tudo virano namorada de novo, vê se pode.
– Pois é. Família é família, não é?

CANTADAS PERNAMBUCANAS Nº 2465488

– Garota, eu lhe amo. Se eu soubesse teu nome, numa rifa eu jogaria.

(protagonista da cena: um impagável caruaruense atingindo 5 pontos na escala richter etílica, se declarando pra uma garota que acabara de conhecer, cujo nome eu também desconheço)