O QUE VEJO, O QUE OUÇO – agosto 2021

Tenho assistido muitos documentários sobre música nos últimos tempos. Não necessariamente lançamentos, claro. Eu gosto de esperar para estar no mood correto para assistir filmes, ler livros, ouvir discos, e isso pode demorar anos. Em todo caso, segue uma lista com dicas de docs legais que estão nas plataformas de streaming.

QUEBRA TUDO: A História do Rock na América Latina

Uma história política do rock na América Hispânica em seis episódios, com depoimentos de Charly García, Fito Páez, Rubén Albarrán, Julieta Venegas, Andrea Echeverri e Gustavo Cerati. Excelente para um breve panorama do rock e, em especial, das reviravoltas políticas na América Latina. Para os brasileiros, vai ser tudo uma deliciosa novidade.

Não se preocupe em anotar o nome das bandas que gostar, tem playlists temáticas no Spotify pra isso.

Música ligeira: https://www.netflix.com/title/81006953


AMARELO – É Tudo Pra Ontem

Assisti só agora o doc do Emicida e: é tudo isso sim. A premissa é linda: Emicida vai tocar no Teatro Municipal de São Paulo e, para explicar a importância desse evento, precisa contar desde o começo. Daí ele volta um pouco no tempo: uns 500 anos. Roteiro 10/10. Emoção: total.

Tudo que nóiz tem é nóiz: https://www.netflix.com/title/81306298


CHORÃO: Marginal Alado

Corretinho e com boas imagens de arquivo, apela para a emoção de quem é fã – não teria como ser diferente. Pra quem não é fã, talvez não fique tão claro o tamanho da banda.

Duas críticas: uma, à escolha de alguns personagens (como Marcelo Nova e João Gordo) para dar loongos depoimentos – não eram necessariamente os colegas mais próximos. [Pra quem quer ver mais, aqui o recorte é o pessoal do skate]

E achei que a treta com o Marcelo Camelo de novo não ficou bem explicada: pegou imagens do programa Ensaio, no qual Chorão conta com detalhes os motivos da briga, mas deixou de fora a parte em que ele explica que já tinha desculpado o músico carioca uma vez e ele tinha falado mal dele de novo.

Aqui, dos 29’30 em diante:

Mas o doc conta bem a história do personagem, sem escapar de temas polêmicos como a Netflix às vezes faz – tipo o do Lee Morgan que consegue a proeza de contar todas as tretas mas omitir o fato de que elas eram causadas por seu vício em heroína por exemplo. No caso do Chorão está tudo lá.

Só os loucos sabem: https://www.netflix.com/title/81279462


O BARATO DE IACANGA

Não quero dar spoiler. Assistir esse doc sem saber nada sobre o festival é uma experiência maravilhosa. Não sabe do que se trata? Melhor ainda, só assiste.

Tudo tudo tudo vai dar pé: https://www.netflix.com/title/81211691


AMOR SERTANEJO

Um pouco de história, bastante de mercado, um tanto de produção musical e fundamental para entender por que esse é o gênero musical mais ouvido no Brasil há 30 anos.

Gostei muito deste momento que fala sobre a ideia de juntar compositores para criar hits: a gente critica a ideia pela massificação, João Marcelo Bôscoli porque a ideia não é nova, a geração do pai dele já tinha feito isso antes ¯\_(ツ)_/¯

E, nos dez minutos finais, um panorama de futuro que vai arrepiar os cabelos dos tonico-e-tinoquistas. Vocês vão sentir saudades do sertanejo universitário, podem anotar.

A melhor definição – vejam só – é do DJ Alok, que hoje toca em Barretos: “uma das razões pelas quais o sertanejo faz tanto sucesso no Brasil, e ele é hoje o pop do Brasil, é porque o público sertanejo abraça outros gêneros também” E, se nada fica de fora, como não ser o maior?

Quem gosta de rodeio bate forte com a mão: https://www.netflix.com/title/81295108


Docs mais antigos, agora em um streaming perto de você

Na excelente plataforma In-Edit, por R$ 7.

JORGE MAUTNER: O Filho do Holocausto

O documentário é de 2012, mas eu só assisti recentemente. Vale pela ótima história, contada lindamente pelo compositor, escritor, cantor, poeta; as ótimas cenas de arquivo; e tem como destaque a reunião de Caetano e Gil contando causos da juventude junto a um ainda inconformado Mautner. Ponto baixo: sua filha Amora encarna um papel chatíssimo, no qual aparentemente não superou sua sofridíssima infância, quando seu pai malvado ia buscá-la na escola de sunga.

Cinco bombas atômicas: https://br.in-edit.tv/film/312


UMA NOITE EM 67

Tem de tudo nesse mundo né, e se você é das raras pessoas que ainda não viu esse doc, a hora é agora. Basicamente conta a história de uma noite – e que noite:

Final do III Festival da Música Popular Brasileira da TV Record, 21 de outubro de 1967. Entre os candidatos aos principais prêmios figuravam Chico Buarque de Holanda, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Mutantes, Roberto Carlos, Edu Lobo e Sérgio Ricardo, protagonista da célebre quebra da viola no palco. Com imagens de arquivo e apresentações de músicas hoje clássicas, o filme registra o momento do tropicalismo, os rachas artísticos e políticos na época da ditadura e a consagração de nomes que se tornaram ídolos.

Caminhando contra o vento: https://br.in-edit.tv/film/328


AXÉ – Canto Do Povo de Um Lugar

Doc massa de 2016, já esteve na Globoplay, há uns tempos na Netflix. Se você perdeu esse bonde mas não deixou de botar a mão no joelho e dar uma abaixadinha, a hora é agora.

Brincadeira, esse filme é ótimo até para quem não manja nem gosta do rebolado – conta a história de um movimento importantíssimo para a cultura brasileira, e conta direitinho até demais, ou seja, dando aquela branqueada metalinguística também. Vai bem até a metade, depois desanda e termina naquela depressão de ver a música de origem tão negra apontando para o futuro na última astronave pilotada pelo russíssimo Saulo Fernandes. Ainda assim: assista, mas prepara o sonrisal.

Cara caramba cara caraô: https://www.netflix.com/title/81295392


NARCISO EM FÉRIAS

Esse não é exatamente sobre música, mas um relato pessoal de Caetano Veloso sobre o período da sua prisão, logo após o AI-5. Mas é claro que isso impactou em suas músicas e bem, melhor do que documentários sobre música, só documentários sobre história e política, se juntar tudo melhor ainda.

O errante navegante: https://globoplay.globo.com/narciso-em-ferias/t/KVRw1yNS8G/

NÃO ESTÁ TUDO BEM

Desde 2018, no mínimo, estamos lidando mal com essa pergunta-cumprimento. A gente passou a falar “e ai, tudo bem?” já emendando: “quer dizer, na medida do possível né”. Na época achei correto, afinal pegava até mal uma pergunta dessas, parecia alienação. ⁠

Mas como desgraça é pouca é bobagem e o antigo normal virou utopia, já podemos considerar que a régua do bem estar mudou um pouco. Que sim, apesar de, contudo, todavia, mas, porém, segue o baile. ⁠

Daí pode ser que a gente consiga promover uma mudança cultural e passe a mandar uns “bom dia/tarde/noite”(formal demais), “oi, e aí?” (onomatopeia paulistana demais) ou “bom te ver” (um pouco íntimo demais) e “o que me conta / o que tem feito / quais as novidades?”. Bem assim, tangenciando o ⁠assunto “realidade”.⁠

Mas na verdade a esta altura, podemos assumir que: tuuuudo bem nunca vai estar. É só uma forma de dizer. Sempre tem um não-sei-que, uma unha encravada, uma joanete, um quadro de depressão agravado pelo excesso de más notícias e falta de perspectiva no futuro, carência, injustiças, uma doença que preocupa, uma pessoa querida que se foi. ⁠

E em vez de se antecipar, meio abafando o caso e já anunciando que tá todo mundo na merda (o que é real), sou a favor de relaxar e seguirmos perguntando, sincera e abertamente, para dar a chance de quem sabe ouvir uma boa notícia, uma conquista, uma história engraçada – mas também preparados para a possibilidade, claro, de ouvir um “é, daquele jeito né?” emendado com uma lamentação (também fica permitido expurgar um pouco o que nos pesa as costas, mesmo correndo o risco de parecer um pouco conversa de véio na fila do INAMPS). ⁠

Mas talvez mesmo isso seja melhor do que se podar e atropelar esse passo de aproximação-abertura tão importante e se iludir, de um jeito estranho, que se não fosse o governo, o vírus, a iminência de um apocalipse climático e consequente extinção da humanidade aí sim, teríamos a resposta correta quando alguém perguntasse “tudo bem?”:

– tudo, e você?⁠
_______________________________________⁠
p.s.: com minha amiga-irmã @ninalemos usamos “e aí, como você está?”, porque a gente realmente quer saber.
p.s.2: tá tudo bem ;)

DIA DOS PAIS

Quem vê esse tipão posando de sapatos engraxados não imagina o maloqueiro transgressor, revolucionário, encrenqueiro, adorável, insuportável, autor / director de teatro premiado em uns três continentes, xamã, pai para quem precisasse, um grande sujeito. Por muito tempo pensei que não era fácil ser filha de alguém foda assim (imaginem a autocobrança); mas na verdade é uma honra, motivo de enorme orgulho – e a saudade é proporcional. Obviamente muito do que penso sobre a vida, arte e política vem dele:

Juan Carlos Uviedo, provocador.

P.s.: na última foto, a exposição que aconteceu em 2015 no MUAC – México sobre ele coincidentemente é aberta por essa imagem da minha mãe, mas vou deixar essa problematização para outro dia.

[ QUATRO NOTAS SOBRE A LEVEZA ]

1

lugar, desabitá-lo:

procuro uma palavra para me referir às forças que passam a operar em torno dos objetos quando ninguém mais os toca

2

à noite estou sozinha

sonho com um cavalo azul
e o vento varre meu rosto e minha boca cai em desuso

3

penso em como seria educar uma pessoa com base na ideia de que há coisas que esvoaçam
cortinas, roupas em varais
– as folhas de um caderno aberto sobre a mesa próxima à janela

4

[ a página onde leio as palavras que alguém escreveu no momento em que tentava conceber —

em que se sustém a transparência quando ocorre
de a libélula voar? ]


à noite as meninas se reúnem em torno de suas bonecas
e se inclinam para beijá-las na testa e imantar seus corpinhos de pano com relâmpagos

são meninas magras e inacessíveis

tantas
e cheiram a algodão e lágrimas

nos cabelos um nevoeiro de teias de aranha. na pele os sinais em sete eclipses: lua ilícita, lisérgica. a sombra no púbis, no ânus, nos covis das axilas. uma única e mesma noite atravessa os séculos pela boca das mães até a boca das meninas

e das meninas às bonecas

num processo difícil de perpetuação da fome


1

estudar o pássaro
estudar o desenho de mãos que vem ao caso quando penso na palavra “fragilidade”

a altura
a origem da ideia de linhas
tênues

2

estudar a terminologia com a qual os homens de uma cidade perdida se referiam à movimentação de suas cortinas em manhãs de vento

(a atenção com que as observavam, especialmente no instante em que depois de serem abatidas pelo vento elas caíam
e caíam assumindo uma angulação muito própria em relação à luz)

3

estudar todo e qualquer vestígio

e por que penso em homens que falam muito baixo uns com os outros, como se a palavra fosse um excesso

como se em seus íntimos eles estivessem trabalhando na elaboração de uma outra teoria do fogo

mar becker (marceli andresa becker) é formada em filosofia (universidade de passo fundo) e tem especialização em epistemologia e metafísica (universidade federal da fronteira-sul). mora atualmente em são paulo. faz bonecas e bichinhos de crochê. e-mail: mab_1109@yahoo.com.br

SEE THE WORLD

Experience. Dream. Risk. Close your eyes and jump. Enjoy the freefall. Choose exhilaration over comfort. Choose magic over predictability. Choose potential over safety. Wake up to the magic of everyday life. Make friends with your intuition. Trust your gut. Discover the beauty of uncertainty. Know yourself fully before you make promises to another. Make millions of mistakes so that you will know how to choose what you really need. Know when to hold on and when to let go. Love hard and often and without reservation. Seek knowledge. Open yourself to possibility. Keep your heart open, your head high and your spirit free. Embrace your darkness along with your light. Be wrong every once in a while, and don’t be afraid to admit it. Awaken to the brilliance in ordinary moments. Tell the truth about yourself no matter what the cost. Own your reality without apology. See goodness in the world. Be Bold. Be Fierce. Be Grateful. Be Wild, Crazy and Gloriously Free. Be You. Go now, and live.

Day to day
Where do you want to be?
‘Cos now you’re trying to pick a fight
With everyone you need

You seem like a soldier
Who’s lost his composure
You’re wounded and playing a waiting game
In no-man’s land no-one’s to blame

See the world
Find an old fashioned girl
And when all’s been said and done
It’s the things that are given, not won
Are the things that you want

Empty handed, surrounded by a senseless scene
With nothing of significance
Besides a shadow of a dream
You sound like an old joke
You want out, a bit broke
An’ askin me time and time again
And the answer’s still the same

See the world
Find an old fashioned girl
And when all’s been said and done
It’s the things that are given, not won
Are the things that you want

You’ve got a chance to put things right
So how’s it going to be?
Lay down your arms now
And put us beyond doubt
So reach out it’s not too far away
Don’t mess around now, don’t delay

A desinvenção do Brasil

Hoje é mais um 31 de março e só tenho mágoa para oferecer. ⁠

Mas também quero deixar aqui um trecho da biografia “O livro do Boni“, dele mesmo, José Bonifácio de Oliveira Sobrinho. Mais do que o homem que ajudou a dar a cara à TV Globo e à televisão brasileira: aquele ajudou, e muito, a formatar o que hoje nos acostumamos a chamar de “identidade nacional”. ⁠

Não, isso não é um elogio: no processo de criar uma rede nacional de televisão, foram eliminadas diferenças de programação entre os estados, criou-se um padrão cultural, uma uniformização de sotaques e diluição de costumes; e o resultado é impressionante – para o bem e para o mal. Durante gerações, foi dessa maneira que aprendemos a entender o que era o Brasil. Como se estabelece o ícone de mulher brasileira? Como é definido o horário dos jogos de futebol e o padrão de transmissão das escolas de Samba? Sabe a música ‘Luiza’, de Tom Jobim? foi escrita para uma novela da Globo. ⁠’Pecado Capital’, do Paulinho da Viola, também. Quem conta a história do que aconteceu neste país? ⁠

E é dessa forma, imprecisa, displicente e amoral, que Boni cita os fatos do dia 31 de março de 1964, que deram início a uma noite que durou mais de vinte anos; à ditadura militar brasileira; à miséria humanitária, milhares de mortes, à vergonha histórica: não importa. ⁠

Importa a pauta, que deixou repentinamente de ser ⁠a chegada ao Rio de Janeiro da cantora Elis Regina e passou a ser: umas tropas aí chegando de Juiz de Fora. Que depois causaram umas dificuldades, como narra o livro, relacionadas a importação de equipamentos, tecnologia, censurando umas novelas. Do umbigo do mundo de quem inventou esse Brasil, é o que importa. ⁠

E talvez seja esse Brasil que precisamos desinventar. Reinventar.⁠ Precisamos passar a nos importar mais com outras coisas.⁠ com milhares de Brasis, intensos, vibrantes. Que as vezes se perdem. Às vezes acabam se acostumando com todos os nomes da morte.

Mas é preciso viver⁠
E viver não é brincadeira não :)⁠

#ditaduranuncamais

LIÇÕES DE 2020

Não, não estou falando que a pandemia nos fez aprender nada, muito menos evoluir, pelamor, sem esse papo de instagrammer tilelê gratidão. Mas em um ano no qual eu REALMENTE não saí de casa, além de surtar, estudei muito – embora tenha lido pouco. Eu passo muito tempo desenhando e pra mim funciona melhor consumir conteúdo em áudio enquanto trabalho.

Aproveito o clima de retrospectiva para compartilhar aqui os conteúdos que mais me impactaram. E, ao fim da lista, um pouco de humor, coisa que também ensina (a gente a ser menos besta).

QUEM LÊ TANTA NOTÍCIA?

– realidade, boa noite, em que posso ajudar?
– em nada, foi engano, queira desculpar.
***
– boa noite, tecle 1 para realidade parcial, 2 para realidade comum, 3 para realidade alterada e 4 para ‘faça você mesmo que nós ouvimos’.
– tem realidade mesmo?
– tem: desculpe, o senhor ligou errado.
– ah, ok.

#esquizofasia

[quarentena, sexto mês: revisando cadernos antigos]

GOSTO MUITO DE VOCÊ

Chico Buarque é geminiano
Gilberto Gil é canceriano
Caetano Veloso é leonino

se isso não fizer vc acreditar em astrologia, nada mais faz

[amo a arte de cada um de um jeito, mas a de Caetano me ajuda a lembrar que eu gosto de arte, então começa por aí. longa vida a todos os três]

EVERYTHING UNDER THE SUN

everything under the sun is in tune⁠
but the sun is eclipsed by the moon⁠
(there is no dark side of the moon, really⁠
matter of fact it’s all dark)⁠
-⁠
o resultado é algo bem diferente do meu estilo, mas adorei fazer o curso de pintura digital da @domestika. é sempre bom aprender uma nova técnica, abre uma nova série de possibilidades. eu já tinha alguma experiência com pintura à óleo / acrílica e a lógica é similar, mas dar pinceladas soltas no Photoshop não é uma transição assim tão óbvia. ainda sinto que dá pra soltar bem mais a mão.⁠

bem, é só um primeiro teste e basicamente para dizer que: é muito legal experimentar novos formatos, explorar técnicas, materiais; estudar novos assuntos; mesmo que pareça que não vai ter utilidade imediata, uma hora pode ser que sirva para algo que você nem imaginava. ⁠mas, sobre tudo, é bom pra sair do automático e resgatar uma coisa que o professor @patricio.betteo fala várias vezes durante o curso: hay que disfrutar.⁠

Eu estou, muito.⁠

IT’S LIFE, AND LIFE ONLY

O problema do mundo é que as pessoas ouvem menos Bob Dylan do que o necessário – e olha que há 79 anos ele está aí, dando mais do que a gente merece. Obrigada Bob, este ano vou comemorar mais seu aniversário do que o meu (que é amanhã).⁠
-⁠
While them that defend what they cannot see⁠
With a killer’s pride, security⁠
It blows the minds most bitterly⁠
For them that think death’s honesty⁠
Won’t fall upon them naturally⁠
Life sometimes must get lonely⁠

My eyes collide head-on with stuffed graveyards⁠
False gods, I scuff⁠
At pettiness which plays so rough⁠
Walk upside-down inside handcuffs⁠
Kick my legs to crash it off⁠
Say okay, I have had enough⁠
What else can you show me?⁠

And if my thought-dreams could be seen⁠
They’d probably put my head in a guillotine⁠
But it’s alright, Ma, it’s life, and life only

MINHAS MÚSICAS

https://www.behance.net/gallery/99629911/Playlist-covers-Spotify

Uma coisa que gosto de fazer é playlists. Desde o tempo da fita K7, tinha coisas tipo: pra animar festa miada na qual vc entrou de bico (hits de agrado geral); seleção de músicas que falam “por quê?” e por último uma que diz “porque nãaaaao”; seleção de forró (nos anos 90 era fundamental levar uma dessas na bolsa); “blues gravados por artistas brasileiros que não são de blues”; músicas que falam de orixás – vol. 1 e 2.; músicas com nome de mulher.⁠

Depois em MP3, que a gente mandava as ‘mixtapes’ por e-mail em forma de arquivos numerados (alô @tuliparuiz); gravava CDzinhos “pra ouvir na estrada”; folk fofo; “sertanejos que parecem stones e vice-versa”. ⁠

Depois, listas no Multiply (a mais completa rede social e que nunca fez sucesso) e o Grooveshark, que deixavam a gente subir faixas. ⁠

Depois teve o Blip.fm, que era tipo um Twitter mas em vez de falar bobagem vc postava uma música – com espaço até pra contextualizar: versão muito boa, com o músico tal.⁠ Ou uma bobagem, por que não? O 8Tracks, o Soundcloud. ⁠

⚠️ Tudo isso pra dizer que desenhei capinhas para minhas playlists de gêneros musicais no @spotify.⁠

Tem mais listas lá, fora essas. Tem sets para festas: “obscurinhas astralizantes”; “para perder a compostura”. “Reinaldo canta Caetano” – músicas do Caetano Veloso citadas por Reinaldo Azevedo em seu programa. Até resgatei e criei uma playlist só com as Músicas que resgatei do Blip.fm. E muito mais.⁠

Quer ouvir? Me add:

➡️ http://bit.ly/evauviedoFM⁠ ⬅️

ou “Eva Uviedo” na busca do @spotifybrasil

2020⁠

uma tela em branco⁠
e lá vamos nós <3