O TEMPO DAS CORES

AEE CHEGOU! “O Tempo das Cores”, novo livro infantil da escritora Débora Thomé com ilustrações minhas, fala sobre uma época em que o mundo tinha cores separadas que não se misturavam, mas duas moças valentes foram incumbidas de entrar em uma aventura com caixas que poderiam salvar tudo. ⁠

A história, narrada lindamente pela @altajuda.deborathome, foi elaborada com muito carinho, editada pela @editorajandaira com design da @doroteiadesign; e eu estou super feliz e apegada a esse trabalho, que foi uma delícia de fazer, etapa a etapa. 

VEJA MAIS AQUI:

https://evauviedo.com.br/o-tempo-das-cores

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A pré-venda do livro já começou no site da editora @editorajandaira e comprando até dia 11/05 você ganha frete grátis. ⁠https://polenlivros.lojavirtualnuvem.com.br/produtos/o-tempo-das-cores

LIVRO: CAROLINA VAI AO MALAWI

Foi lançado hoje, nas redes da Sustenidos Organização Social de Cultura, o livro infanto-juvenil “Carolina vai ao Malawi”, que fiquei muito feliz de ter ilustrado. Ele conta a experiência de Maria Carolina, estudante de música e percussionista, que passou um período como voluntária na Music Crossroads, academia de música do Malawi, no Sudeste da África.⁠

Veja todas as ilustrações aqui:
https://evauviedo.com.br/carolina-vai-ao-malawi

O MOVE (Musicians and Organizers Volunteer Exchange) é um programa de intercâmbio e voluntariado entre as organizações musicais JMNorway, Trøndertun Folk High School, Music Crossroads Malawi, Music Crossroads Moçambique e Sustenidos. A cada ano, seis jovens ex-alunos e educadores do Projeto Guri – @projetoguri (programa sociocultural mantido pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo e gerido pela Sustenidos) passam uma temporada de dez meses nos outros países participantes, Noruega, Malawi e Moçambique (e vice-versa).⁠

“Após alguns anos de colaboração entre as organizações, tivemos a ideia de elaborar livros infantis que contassem um pouco sobre a experiência de ser estrangeiro e viver em outro país. Cada livro fala sobre aspectos da cultura do local retratado: são apresentados costumes, músicas, brincadeiras infantis, lendas, roupas, comidas… E os narradores vão tentando entender as diferenças e semelhanças entre a cultura brasileira e a do país onde estão vivendo. Esperamos que esta coleção desperte nas crianças a curiosidade em relação ao mundo, a coragem de conhecer o novo e o respeito por aquilo que é diferente”, conta Alessandra Costa, autora dos livros e diretora executiva da Sustenidos. ⁠

Agradeço demais a todos os envolvidos no projeto, em especial à parceria da @purpurina.cc

Veja todas as ilustrações aqui:
https://evauviedo.com.br/carolina-vai-ao-malawi


➡️ Para saber mais sobre o projeto e baixar gratuitamente o PDF do livro, acesse:⁠ https://www.sustenidos.org.br⁠

ENCONTROS DE NEVE E SOL

Acaba de sair pela e-galáxia o livro Encontros de Neve e Sol, de Ilana Eleá, com ilustração minha na capa  A história narra a saga de uma mulher que encontra o amor entre as calçadas de Copacabana e as montanhas da Suécia, e sua versão e-book já está à venda na Amazon, Saraiva, Google Books e Livraria Cultura.

https://www.evauviedo.com.br/encontros-de-neve-e-sol-book

P.S.: quer uma capa para seu livro? Orçamentos por email evauviedo@gmail.com

“TOUREANDO O DIABO” NA REVISTA ÉPOCA

NINA FINCO 22/04/2016 – 08h00

A gaúcha Clara Averbuck é escritora e feminista. Uma das criadoras do site Lugar de mulher, ela é uma figura importante na internet brasileira, costurando textos que explicam para o público, principalmente o feminino, a problemática do machismo e outros preconceitos no dia a dia.

Na literatura, Clara cria textos que falam sobre a mulher moderna, que tenta se desconstruir de seus próprios preconceitos e encontrar seu lugar numa sociedade que nem sempre está pronta para ouvir o que ela tem a dizer. Seu mais novo projeto, Toureando o Diabo (146 páginas, R$50), recupera uma personagem (e alter ego) que já apareceu em outros livros, Camila. Com histórias que não seguem uma ordem cronológica, mas que se entrelaçam pelos temas, Clara narra como Camila amadureceu e descobre coisas sobre si mesma remexendo em seus cadernos do passado. Entre poemas e parágrafos soltos, ela discute sobre relacionamentos abusivos, o imperativo desnecessário de não ficar sozinha, sororidade (vocábulo usado pelas feministas para descrever a irmandade entre as mulheres) e o ato de escrever.

Unindo uma página a outra estão as ilustrações de Eva Uviedo, amiga de longa data de Clara. Os desenhos e rabiscos de Eva dão forma aos pensamentos embaralhados de Camila, ora com sutileza, ora com agressividade. Algumas das imagens entraram para a sérieSobre amor & outros peixes, um apanhado de ilustrações em que Eva usa os seres do mar como analogia para diferentes sentimentos.

Este é o primeiro livro independente de Clara. Ele foi viabilizado por meio de uma campanha de financiamento coletivo que somou mais de 600 apoiadores. A obra pode ser comprada pela loja virtual das autoras.

ÉPOCA –  O livro não segue uma lógica. A narrativa não é contínua, são várias histórias misturadas, mas você não avisa quando uma começa e outra termina. Quando teve a ideia de escrever esse livro, você já o imaginou assim, ou ele foi se transformando?
Clara – 
Eu e a Eva fomos montando a narrativa juntas. Então, eu não o imaginei assim, ele foi se formando. Mas eu gosto muito de escrever desta forma fragmentada. Meu primeiro romance, Máquina de pinball (Editora 7 letras, 90 páginas, R$37), tem a mesma personagem, a Camila, e também é assim: histórias entrelaçadas, mas que não necessariamente são lineares.

ÉPOCA – No começo do livro, você usa a metalinguagem para falar sobre a dificuldade de escrever um livro. Você acha que esse recurso é uma fonte infinita de inspiração para quem quer escrever, mas não sabe como fazer ou sobre o quê?
Clara – 
É uma ótima fonte de inspiração, porque quem quer começar normalmente não sabe bem por onde fazê-lo. Eu ministro oficinas de criação literária e sempre faço exercícios que usam a vida como matéria prima. Esse é o tipo de literatura de que eu mais gosto.

ÉPOCA – Essa história, que como você mesma descreve, não tem heroína nem vilã, mostra seu alter ego, a Camila, rememorando relacionamentos do passado. Nenhum deles a satisfaz completamente e ela segue de cara em cara. Isso mostra uma faceta das pessoas, que é a necessidade de estar sempre buscando alguém, de não ficar sozinho. Muitas vezes essa é uma característica atribuída a mulheres. Você acha que nós somos ensinadas a perpetuar esse comportamento? Isso acontece com os homens também?
Clara – 
Somos criadas para isso. A sociedade espera que nós mulheres tenhamos um homem para nos validar. Muitos dos argumentos que escutamos em discussões são baseados em “vai arrumar um homem”. Eu vejo várias amigas vivendo essa epifania de “perdi a vida inteira com homem”. Muitas das falas e histórias da Camila nesse livro são um apanhado do que eu escuto as mulheres a minha volta dizerem. Elas estão começando a questionar muito, aprendendo a desconstruir a competição entre mulheres e a não basear a vida em relacionamentos… É um assunto que está crescendo na consciência coletiva. Para os homens não fica feio estar ou ser sozinho. Para o homem, o casamento é o final da vida, fala-se em sofrimento. Como se o casamento fosse o fim da vida do garanhão. A mulher é ensinada que tem que casar, que tem que “fisgar o homem”. O cara que fica solteiro para sempre se deu bem. A mulher fica para  titia.

ÉPOCA – Não é complicado fazer um livro sobre questões feministas contando tantas histórias de relacionamentos abusivos e corrosivos com homens? Ou falar sobre isso faz parte do aprendizado feminista?
Clara – 
Ficar remoendo faz parte. Para mim, que estou para completar 37 anos, fez parte. Mas não acho que as meninas precisam passar por isso mais. Uma geração se ferra para outra não precisar se ferrar. Tem que haver um aprendizado. E eu já vejo diferença nessa nova geração. Minha filha de 12 anos está anos-luz à frente da garota que eu era na idade dela. Ela sabe quem é, quais são seus direitos e é empoderada, não se deixa calar. A próxima geração, que agora tem cerca de 15 anos, já tem outra perspectiva. A construção do feminino sempre foi em torno do homem, a princesa que quer casar. Agora vemos meninas interessadas em outras possibilidades, principalmente porque elas sabem que podem.

ÉPOCA – Quando entramos em contato com o feminismo, nós começamos a problematizar muitas questões que nos foram impostas a vida toda e isso abre caminho para questionamentos pesados sobre coisas comuns. Quem toma essa atitude costuma ser tachado de “politicamente correto”, de uma forma pejorativa. Como você enxerga essa questão?
Clara – 
Dizer que o politicamente correto vai acabar com o mundo é mais um jeito das pessoas não quererem debater algo. Falam que antigamente aquilo não era problema, que a TV Pirata podia fazer piada, hoje em dia não pode mais. Claro que tinha problema, mas ninguém falava, ninguém compreendia. É a mesma coisa com racismo e homofobia. Qualquer minoria que ganha voz é alvo de reclamações. Mas é algo que vai se acertando. Quando tiramos o véu e começamos a enxergar algo que não enxergávamos, passamos a equilibrar as nossas ideias. Eu não deixei de ler os autores que eu gostava depois de perceber que eles eram machistas, por exemplo. Desde que a gente consiga enxergar o problema e questioná-lo, tudo bem. Não dá para descartar tudo que tem machismo, senão não sobra nada.

ÉPOCA – Você toca no ponto da sororidade e como isso é um divisor de águas para a Camila. Mas também mostra que a Camila se prejudica ao confiar muito em uma mulher. Isso foi para mostrar que, apesar de precisarmos desconstruir a mania de competição entre as mulheres, não dá para esquecer que mulheres são pessoas e, portanto, têm defeitos e não são indefensáveis?
Clara – 
A sororidade é enxergar a outra mulher como uma igual e não julgá-la por preceitos machistas como roupa, comportamento pessoal… Mas claro que sororidade não é desculpa para a pessoa agir de forma errada. Já aconteceu muitas vezes de eu criticar algo que alguém falou e outra pessoa perguntar: “Mas e a sororidade?”. Calma lá. Sororidade não é escudo. É você enxergar as outras mulheres de uma maneira diferente da que fomos criadas para enxergar, que é a competição. No entanto, encontramos todo tipo de pessoas ruins em nosso caminho.

ÉPOCA – Em uma das passagens do livro, você fala sobre as cantadas na rua – e como isso é enervante. Campanhas como Chega de Fiu Fiu e Não mereço ser estuprada estão completando 3 e 2 anos já, mas ainda temos que lidar com o problema nas ruas. Acha que tivemos algum progresso nesse sentido? O que ainda podemos fazer para impedir o assédio?
Clara – 
Teve um pequeno progresso. A cantada na rua é uma característica cultural muito forte nossa e, portanto, é muito difícil mudar. No ano em que saiu a campanha do Fiu Fiu, todos os homens estavam contra. Até mesmo os caras que não tomavam essa atitude. Acho que o privilégio masculino é tão grande, que eles querem poder fazer algo que eles jamais fariam. As pessoas confundiam muito a cantada na rua com o “flerte”. Abordar uma mulher na rua desta forma não é um interesse de aproximação real e sim uma demonstração de poder. Já ouviu falar de um casal que se conheceu porque o cara assoviou para a mulher na rua? Se tem, é um caso em um milhão. Mas isso mudou. Muitos caras conseguiram entender melhor que flerte tem que ser recíproco. As mulheres estão tolerando menos também. E tem ainda outra dificuldade: como fomos criadas para buscar a aprovação masculina, não dá para dizer que uma garota que gosta disso está errada. É uma construção difícil de combater.

ÉPOCA – Você problematiza, rapidamente, sobre a dificuldade de uma mulher escritora ser levada a sério. Ainda é difícil, para uma mulher, conseguir um lugar na literatura nacional? O que as mulheres têm a dizer não considerado tão relevante para os leitores?
Clara – 
A gente tem que ser dez vezes melhor do que os caras para conseguir publicar algo. Sempre há poucas mulheres nos eventos literários – e em grande parte das vezes elas são brancas, outro recorte importante. Durante toda a minha carreira, eu fui diminuída por usar a vida como matéria prima. Isso é algo que não acontece com o homem. Quando ele faz isso ele é gênio, a mulher faz isso por não conseguir fazer outra coisa. Mas isso foi uma escolha estilística minha. E escrever sobre sexo então, causa um frenesi louco. Na época em que escrevi Máquina de Pinball, em 2001, eu recebi avalanches de emails me xingando porque eu estava ousando invadir um espaço que não era meu.

ÉPOCA – Você é escritora. Como é a relação da sua profissão com o feminismo? Você se sente obrigada a escrever sobre o assunto e fazer uma literatura feminista? É possível levantar uma bandeira na literatura e não transformá-la numa literatura panfletária simplesmente?
Clara – 
Não me sinto obrigada. Antes de ser feminista eu sou escritora. Mas antes de ser escritora eu sou mulher. Então essas coisas acabam se entrelaçando. As minhas personagens sempre foram mulheres fortes. Claro que tem algumas questões e trechos de livros com os quais eu implico e vejo que nunca escreveria aquilo hoje em dia. Mas faz parte da minha construção como mulher. Não dá para engessar a arte por causa dessa questão. Tive muito cuidado para não fazer do livro algo panfletário. Mas acho que se o autor quiser, ele pode fazer isso sim. Levantar uma questão não necessariamente é obrigar as pessoas a aceitarem aquilo como certo. Mas a ficção tem essas linhas tênues em que podemos transitar.

+++ Leia na íntegra aqui: http://epoca.globo.com/vida/noticia/2016/04/clara-averbuck-fala-sobre-mulher-moderna-feminismo-e-literatura-em-toureando-o-diabo.html

“TOUREANDO O DIABO” NO CORREIO DA BAHIA

por Monique Lôbo (monique.lobo@redebahia.com.br) 15/03/2016 13:07:00

No mundo ideal, não há distinção entre a imagem e o texto na hora de passar um conteúdo. Mas, na vida real, frequentemente as palavras ganham mais espaço. Nadando contra essa maré, a escritora Clara Averbuck e a ilustradora Eva Uviedo lançam o livro Toureando o Diabo (Independente/R$ 50/146 páginas), narrativa em que o texto vem costurado com os desenhos e um depende intrinsecamente do outro.

“Eu escrevia, mandava pra Eva, ela desenhava, a gente discutia”, conta Clara, sobre o processo de criação da publicação. “Alguns desenhos eu diagramava junto com o texto e pensava: não, esse precisa escrever a mão, tem que ter a letra da Clara nessa imagem, vai dar a força que falta”, completa Eva sobre a parceria que já vem de longe.

Em 2008, elas lançaram em coautoria o livro Nossa Senhora da Pequena Morte; já participaram da Mostra Sesc de Artes com o projeto Poesia de Elevador; e a reedição de todos os livros de Clara lançados a partir de 2012 têm ilustrações de Eva nas capas. “Acho que principalmente a gente se conhece e se entende. Temos um objetivo, que é fazer um trabalho que deixe ambas felizes”, fala a ilustradora.

Em Toureando o Diabo, elas resgatam a personagem Camila, um alter ego da escritora que foi personagem dos seus primeiros romances. Se nos primeiros livros a protagonista perseguia o amor sem descanso, nesse ela está mais madura para abordar outros assuntos como a criatividade, a decepção, o amor e o sexo, entre outros.

“Eu usei Camila novamente, justamente porque queria usar elementos daquela personagem jovem e imatura numa transformação para uma mulher com outros conflitos. Já que nos primeiros livros a busca dela oscilava entre o amor e a liberdade, agora as questões são mais universais, até porque eu quis mudar a personagem que foi criada pra ser “diferente das outras”, pra uma personagem que engloba todas as outras”, explica Clara Averbuck.

+++ Leia na íntegra aqui: http://www.correio24horas.com.br/single-entretenimento/noticia/setimo-romance-de-clara-averbuck-fala-de-consciencia-e-poder-da-mulher/

“TOUREANDO O DIABO” NO JORNAL DO COMMÉRCIO

A escritora Clara Averbuck e a ilustradora Eva Uviedo dedicam Toureando o diabo (146 págs., R$ 50,00), seu novo livro, “pras minas”. Com jogos entre imagens, rabiscos à mão e textos, a narrativa reapresenta a protagonista Camila, a mesma do romance de estreia de Clara, Máquina de pinball (2002). Em uma versão mais madura, a personagem retorna para discorrer sobre relações abusivas e machismo – enquanto lembra de cadernos antigos e analisa o relacionamento com alguns homens.

Na entrevista a seguir, Clara fala da parceria com Eva, com quem já trabalhou anteriormente, discorre a respeito da retomada da personagem principal e comenta sobre viver de literatura no Brasil. JC – Panorama – O que veio primeiro: o retorno à personagem ou o desejo de discutir estes temas? Clara Averbuck – Acho que as coisas foram vindo juntas, mas evoluíram mesmo quando a Eva e eu começamos a criar o livro. Os temas estavam pairando e caíram como uma luva na Camila, ou ela caiu como uma luva para eles.

Panorama – Qual era sua principal motivação ao apresentá-la novamente?

Clara – Quis amadurecer a personagem, pois gosto demais dela e não queria que ficasse parada no limbo de 2001 dizendo que era uma “mulherzinha com bolas”, coisa que eu jamais escreveria hoje. Quis construir essa Camila como uma mulher forte, mas humana, com fragilidades, que cai em cilada, que tomba e levanta, que faz besteira e se toca, que tem crises, enfim, uma “mina” com nuances e humanidade. Minha convivência com mulheres me fez ver que passamos por muitas situações em comum, muitas situações ruins, às vezes de abuso, e que sentimos vergonha por isso, tentamos até ignorar para não sermos tachadas de fracas, de “cheias de mimimi”. Saber que muitas mulheres passam por isso é ao mesmo tempo horrível e um alívio, pois sentimos que não estamos sozinhas, e essa foi uma das minhas intenções com o amadurecimento da Camila.

Panorama – Como foi a relação entre você e Eva durante o desenvolvimento do livro?

Clara – A imagem complementa o texto que complementa a imagem. Foi realmente uma coautoria. Foram noites e noites no estúdio dela cortando texto, pensando em desenhos, procurando em bilhetes e cadernos coisas que se encaixassem na narrativa que estávamos criando. Descartamos muito texto, acho até que dá para dizer que algumas partes foram substituídas por desenhos. O livro fala muito de sentimentos, e a Eva tem essa série que chama Sobre amor e outros peixes, que usa os seres do mar como analogias para as nuances e sutilezas que envolvem os relacionamentos humanos como amor, dependência, carinho, dominação, paixão, e essas analogias se entrelaçam de forma vital com o texto.

Panorama – Por que decidiu por um lançamento independente?

Clara – Decidi partir para o financiamento coletivo quando vi o TED (conferência) da Amanda Palmer, A arte de pedir, que depois evoluiu e virou inclusive um livro. Fiquei com aquela ideia na cabeça, aliada à minha insatisfação de ter que arrumar outros trabalhos para poder bancar a minha profissão, já que dá para contar nos dedos os escritores que vivem das vendas dos seus livros. O autor ganha até 10% do preço de capa do livro que criou, a livraria fica com 50% ou mais, e a editora fica com cerca de 40%. Quer dizer, você ganha uma passagem de ônibus a cada livro vendido. Eu queria viver de escrever livros e, do jeito que o mercado funciona, isso só acontece se você é um best-seller. Essa foi a motivação inicial, mas, no final das contas, o fato de ter liberdade total para criar acabou gerando essa narrativa texto-ilustração que a Eva e eu criamos.

Leia aqui: http://edicao.jornaldocomercio.com.br/jornal/jcomercio/2016/03/14/1445/pdf/14-PAN001.pdf

“TOUREANDO O DIABO” NO SCREAM & YELL

“Essa é uma obra de ficção? Qualquer semelhança com personagens vivos ou mortos é problema de vocês”, é o aviso impresso no colofão de “Toureando o Diabo”, sétimo livro de Clara Averbuck e segundo em parceria com a ilustradora Eva Uviedo. No romance, Clara resgata a protagonista de seus dois primeiros romances, Camila, que agora, entrando na faixa dos trinta, resolve remexer em seus cadernos do passado e repassar sua vida, desde aquela época em que “queria ser a mais inteligente, a mais linda, a mais engraçada, a mais talentosa, a que mais se destacava, a que mais… agradava os caras” até o presente, em que entende que o seu fortalecimento e, nas suas palavras, “redenção” só é possível através da união com as outras mulheres. Mas ainda que haja várias boas passagens feministas, o livro não panfleta sobre isso: há ainda uma mistura de relatos sobre as relações conturbadas com diversos homens ao longo de sua vida e reflexões sobre o ofício de escrever.

Ainda que a autora faça questão de deixar bem clara a distinção entre a sua vida pessoal e a do seu alter ego (“Não é o meu eu. É um recurso literário largamente usado e sempre foi nessa literatura que eu mirei. Sempre disse que a Camila era o meu excesso e nunca neguei que usava a vida como matéria prima da minha obra, mas isso não significa que seja um cronograma do que eu vivi”, diz ela), muitas vezes a voz da personagem se confunde com a da própria Clara e é inevitável lembrar-se de seus artigos escritos no site Lugar de Mulher, que divide a autoria com Mari Messias e Ana Paula Barbi, em digressões como esta:

“Medo do ridículo do livro também. Não vou parir personagem heroína que faz tudo certinho, não vou criar personagem vilã que faz tudo errado e amam odiar. Não quero criar mulher abusada pra mostrar o que pode acontecer, não quero criar vítima nem algoz; não vou dar vida à vilã que todo mundo odeia, mas quer comer ou ser. Personagem mina humana, eu quero. Porque eu quero que as minas se identifiquem com ela. É pra elas que eu escrevo. Antes não era.”

Escrito em um fluxo de consciência que remete a uma versão mais rock and roll de Elvira Vigna, o livro não tem uma história propriamente dita, sendo antes uma narrativa costurada por bilhetes, poemas, letras de música e pensamentos escritos à mão, rabiscos soltos e desenhos diversos, que passam ao leitor a sensação de estar de posse de um diário íntimo da narradora-personagem. As ilustrações ficaram a cargo da artista Eva Uviedo, parceira de longa data de Clara, que traduz em imagens muitos dos sentimentos expostos pela personagem. O resultado é belíssimo.

Com o objetivo de ter maior independência, as autoras resolveram recorrer ao financiamento coletivo para viabilizar a brochura, e conseguiram reunir mais de 600 apoiadores, cujos investimentos ultrapassaram a marca inicial de 35 mil reais (agora o livro pode ser adquirido aqui). Na entrevista a seguir, Clara Averbuck e Eva Uviedo contam sobre como foi esta primeira experiência e falam ainda sobre o processo de criação da obra.

O livro foi financiado através do Catarse e eu me lembro que na época algumas pessoas criticaram tanto a iniciativa quanto o valor do projeto. Ao mesmo tempo, você se dizia surpresa que mais autores não recorriam ao crowdfunding para lançar seus livros. Minha pergunta é: com os altos custos da produção de um livro, será que para a maioria dos autores menos famosos não se torna inviável levantar um valor tão alto e por isso é mais garantido procurar a segurança das editoras?
Clara: Bom, meu projeto não era de um autor iniciante; é o meu sétimo livro, afinal, e eu tenho um público bastante fiel. E existe uma diferença entre fazer um livro e lançar um projeto de crowdfunding, com recompensas, taxas de envio, serviços de terceiros. SÓ um livro pode ser impresso com 5 mil reais, até menos, dependendo da tiragem. Lógico que um autor iniciante não pode pedir 35 mil em um projeto. Mas dá pra fazer por bem menos e bem menos livros. Mas nós quisemos fazer um projeto grande mesmo, e saiu um livro maravilhoso, impresso numa gráfica foda, todo ilustrado e que valeu cada segundo de incomodação. E sim, existe a incomodação e não é todo mundo que tem disposição pra passar por ela. O autor pode se sentir mais seguro e mais confortável entregando o texto pra editora, e realmente, é muito mais fácil. Agora, imagina se um autor best seller resolve fazer um financiamento coletivo? Eu ia achar maravilhoso. Ia ser uma revolução.

Agora que o livro está em fase de lançamento, como vocês avaliam todo o processo desde a criação até a autopublicação e divulgação independente? Saiu como o esperado? Pensam em repetir?
Clara: São novos modelos de economia para novos tempos e eu acho que essa ideia ainda vai muito longe. Eu, com certeza, vou repetir a experiência e não vou esquecer de colocar uma parte do dinheiro pra mim, porque um dos motivos do livro ter atrasado foi que eu não pude me dedicar inteiramente a ele; a gente tem que trabalhar e pagar as contas, afinal, e essa ideia de que o artista tem que ser abnegado e não querer viver da arte que produz não me agrada. Eu quero, sim, viver de vender meus livros, não de outros frilas que paguem minhas contas enquanto minha profissão tem que ser tratada como um hobby praticado nas horas vagas, e isso era impossível com o mercado editorial funcionando da maneira que funciona e pagando 10% do preço de capa pra quem escreveu o livro.

Eva: Sou control freak assumida e adoro ter o controle do processo inteiro. Sofro quando algo sai da linha do que eu acredito ser o certo. A Clara e eu botamos a mão desde a planilha de custos até a playlist pra tocar no evento, passando por toda a criação, edição, tudo, sempre de comum acordo. Dá trabalho, claro, mas a tranquilidade de ter poder de decisão sobre seu próprio projeto vale cada noite virada.

Clara, você poderia falar um pouco sobre a concepção do projeto e como foi o seu processo de criação dele? A decisão de trazer a Camila de volta já estava planejada ou foi algo que você decidiu ao longo do processo?
Clara: Não estava planejada, mas à medida que fui escrevendo o livro senti uma necessidade muito grande de reviver a Camila, que acabou no “Vida de Gato” (2004) com um pé na bunda e um coração partido e falando que era uma “mulherzinha com bolas” no “Máquina de Pinball” (2002). O processo de amadurecimento dela tem muito a ver com o meu, é claro, e eu gostei demais de ter trazido ela de volta, até porque deu pra puxar umas referências dos meus livros anteriores que quem já leu vai pescar.

Além do óbvio amadurecimento, o que você diria que mudou em Camila de “Máquina de Pinball” para cá? O que você imagina que aconteceu com ela durante esse período? Pode-se dizer que a Camila é completamente inspirada em você ou há histórias de outras mulheres nela também?
Clara: Alterego significa “outro eu”. Ou seja, não é o meu eu. É um recurso literário largamente usado e sempre foi nessa literatura que eu mirei. Sempre disse que a Camila era o meu excesso e nunca neguei que usava a vida como matéria prima da minha obra, mas isso não significa que seja um cronograma do que eu vivi. Tem muita ficção, ou seja, histórias inventadas, e tem também inspiração em outras mulheres. Aliás, elas foram a grande inspiração desse livro e eu quero muito que elas se identifiquem com essa Camila. A Camila antiga queria ser diferente das outras, especial, floquinho de neve único; a Camila de agora eu construí pra ser todas.

Você frequentemente se diz arrependida de certa passagem a respeito de estupro em seu primeiro livro. No “Toureando…” já encontramos tanto autora quanto personagem com uma outra visão sobre os homens, as mulheres e a vida. Você pode comentar um pouco sobre como se deu o seu envolvimento com o feminismo e como foi fazer essa autoavaliação da sua obra?
Clara: A gente não acorda um dia e virou feminista. Foi todo um processo de reconhecimento e desconstrução. Comecei a me interessar por feminismo por causa da minha autora brasileira favorita, a Carmen da Silva, que era mais conhecida por ter uma coluna na revista Claudia chamada “a arte de ser mulher”. Ela foi a responsável por introduzir o feminismo na imprensa brasileira bem pelas beiradas, já que estava falando com donas de casa dos anos 60 sobre protagonizarem suas próprias vidas em vez de serem coadjuvantes da dos maridos, sobre orgasmo, enfim, sobre questões das mulheres que ninguém nunca tinha tocado. Foi uma grande ruptura na época, já que, antes dela, quem fazia as vezes de “conselheiros” das angústias femininas eram homens assinando com pseudônimos femininos. Eu virei fã da Carmen por causa de seu romance “Sangue Sem Dono” (1964), que é maravilhoso, e fui atrás das outras obras dela. A partir dali comecei a pensar muito no assunto, pensar que “elas”, as feministas, estavam certas em várias questões. Ainda não me considerava feminista, tinha uma imagem muito estigmatizada da coisa toda, mas, à medida que fui me aprofundando, “elas” viraram “nós”. E a partir do momento em que percebi a importância de me colocar, de me posicionar, foi natural que minha escrita fosse mudando um pouco. Eu tenho uma escrita agressiva e direta mesmo, é o meu estilo, mas, no começo, eu tinha uma ânsia de não “ser mulherzinha”, sabe? Agora não tenho mais essa negação pelo feminino que eu tinha no começo. Eu considerava o feminino inferior, mais fraco, ruim; queria escrever como um cara. Minhas referências literárias eram homens, era algo natural pra mim. Não ter mais medo de ser mulher foi uma grande mudança não só na minha literatura, mas em como eu me posiciono na vida. E é por isso que a gente vive falando que representatividade importa. Hoje eu vejo meninas muito jovens querendo escrever e acho isso demais. Dito isso: a passagem do “Máquina de Pinball” com a qual implico é quando Camila diz que agradeceria se fosse estuprada porque os ingleses não gostam de sexo e ela não estava conseguindo transar por lá. Cagada de uma jovem escritora querendo chocar. Mandei mal, apenas.

O texto parece depender muito das imagens; gostaria de saber como foi o processo de criação. Vocês fizeram juntas, ou acontecia do desenho vir depois do texto ou vice-versa?
Clara: Eu escrevia, mandava pra Eva, ela desenhava, a gente discutia. O processo de escolher os textos dos caderninhos também foi bem legal. O trabalho de edição de texto foi nosso e isso foi incrível. Eu e a Eva construímos essa Camila juntas. Cortamos muito, muito texto, e alguns foram substituídos pelas ilustras, que realmente dão a liga do livro. O texto sozinho não existe.

Eva: A mesma coisa com os desenhos. Alguns eu diagramava junto com o texto e pensava: não, esse precisa escrever à mão, tem que ter a letra da Clara nessa imagem, vai dar a força que falta. E a gente é geminiana, muda de ideia loucamente, trocamos tudo de lugar mil vezes. Tem muita ilustração que eu fiz inspirada pela personagem, mas não sabia onde ia encaixar ainda, daí ficava zanzando de uma página pra outra até achar seu lugar. Quando todo mundo achou seu lugar, texto e imagens, demos o livro por terminado.

Eva, você pode falar sobre a escolha das ilustrações da série Sobre Amor & Outros Peixes e contar um pouco sobre sua inspiração para criá-la?
Eva: Não sei bem como surgiu essa série. Comecei desenhando peixes alados em todo lugar por volta de 2005, daí em diante a viagem aquática foi indo em várias direções. Eu curto muito a diversidade dos seres marinhos; saber de um animal como um tubarão, que é muito suave e ao mesmo tempo extremamente violento. Ou a arraia, que é completamente mansa, mas muito perigosa se você pisar nela. O polvo, envolvente; o peixe, fugaz. Fui identificando nas características deles muitos comportamentos que poderia atribuir a humanos, e por aí foi. A primeira vez que a gente juntou os dois universos, o da Clara e o meu, foi no livro “Nossa Senhora da Pequena Morte” (2008). Já estavam ali as mulheres com cabelo de tentáculo e tudo o mais. Acho que combina bem com a característica mutante da personagem, e nesse livro ela está, mais do que nunca, fugindo de um molde, ela está em eterna reconstrução. E por outro lado, acho que a história da Camila vai trazer uma compreensão das pessoas para as ilustrações. Por exemplo, tem uma hora em que ela narra um amor que apenas escapa, e no desenho quem está fugindo é um peixe. Daí vai construindo um universo simbólico que até agora era só meu, mas espero que vá indo para o mundo pra ser entendido de uma forma mais abstrata. A real é que desenho não é muito pra explicar, ele precisa apenas funcionar. Mas o significado está lá.

– Renata Arruda (@renata_arruda) é jornalista e assina o blog Prosa Espontânea.

“TOUREANDO O DIABO” NO BLOG DA CANTÃO

O novo livro da escritora Clara Averbuck acaba de ser lançado. Mas agora em outro contexto: pela primeira vez, Clara esteve envolvida em todas as etapas do processo editorial, desde a campanha de financiamento coletivo pelo Catarse até o envio dos livros pelos Correios, passando pelas tratativas (e imprevistos) com a gráfica. Mas ela não estava sozinha. Ao seu lado, a amiga e parceira de projetos de longa data, a artista plástica Eva Uviedo.

“Toureando o Diabo” é um livro feito em dupla e assinado pelas duas, no qual texto e imagem são igualmente importantes para a narrativa. Conversamos com as autoras sobre como foi superar todos os desafios para lançar este livro de maneira independente:

A obra começou com a proposta de ser um romance ilustrado e acabou se tornando algo mais experimental, um diálogo entre texto e imagens. Neste sentido, vocês sentem que o livro novo se parece em algo com a experiência que tiveram anos atrás com o projeto “Nossa Senhora da Pequena Morte”?
Eva: Sim, mas penso que é uma evolução daquele formato. No “Nossa Senhora da Pequena Morte”, a Clara já trouxe todos os textos prontos e eu ilustrei. Fizemos muita coisa juntas, horas no estúdio trabalhando, ela escrevendo os textos à mão ou à máquina. Mas nesse a gente foi um pouco além. A gente tem uma narrativa que é parte texto, parte desenhos. Por exemplo, tem uma hora no romance em que a protagonista conta que vai fazer uma coisa e a página seguinte é um desenho mostrando o que aconteceu. Ele não está lá ilustrando o texto, ele faz parte da história.

Como foi o processo criativo de maneira geral? Vocês trabalharam em conjunto todo o tempo?
Clara
: Não, várias partes eu escrevi em casa. O começo já estava pronto e eu fui escrevendo as coisas em grandes blocos — algumas noites em claro, alguns dias inteiros. O que fizemos juntas foi editar, descartar, e selecionar as coisas que já estavam escritas, como bilhetes, caderninhos, guardanapos de bar, e ir encaixando na narrativa que fomos criando com texto-desenho.

Qual o maior desafio ao criar ilustrações que dialogassem com o texto da Clara e que representassem as personagens, situações e emoções descritas?
Eva: Entender a personagem é o maior desafio. Foi muita conversa, muita interação com a Clara pra que eu pudesse criar mentalmente uma representação gráfica. Facilita que a gente já se conhece bastante, mas ainda assim isso foi feito aos poucos. Muitos desenhos iniciais foram descartados. Decidimos que essa representação não necessariamente precisaria ter uma cara — inclusive não tem; existe sempre uma figura feminina, mas ela tem vários cabelos, vários corpos, não é sempre a mesma. Ninguém é. E as emoções muitas vezes são representadas apenas por padrões gráficos. Por exemplo, em todo término de relacionamento aparece uma estampa com cruzes. Quando ela está em ebulição, tem um grafismo parecido com um turbilhão. E por aí vai.

Qual o maior desafio do ponto de vista editorial neste novo processo onde você e a Eva, além de autoras, desempenharam um pouco o papel de toda uma equipe e acompanharam cada etapa da criação, produção e agora lançamento oficial do livro?
Clara
: Tudo foi um desafio, a gente não sabia fazer nada. Até o processo criativo foi diferente, pois quando nos demos conta de que não precisávamos seguir nenhum molde pré-definido é que começamos realmente a fazer o livro como está. Mas a parte logística é um pesadelo pra mim. A Eva lida com isso um pouco melhor, eu só de olhar uma planilha de excel já quero chorar, imagina então lidar com gráfica, orçamento, todas essas coisas. É um saco. Mas também é maravilhoso pensar que poderemos pagar nossas contas com um livro que nós mesmas fizemos.

+++ Na íntegra aqui: https://blog.cantao.com.br/2016/03/entrevista-clara-averbuck-e-eva-uviedo/

“TOUREANDO O DIABO” NO CORREIO BRAZILIENSE

O sexto livro de Clara retoma a história de Camila, personagem de Vida de gato, terceiro romance da escritora. Agora, Camila, que é escritora, passa por uma crise criativa e se isola no mato na tentativa de escrever um novo romance. A estratégia fracassa e ela precisa retornar à cidade, um espaço no qual se sente confortável e mais propício ao processo criativo, como ela acaba por descobrir.

A escritora gaúcha Clara Averbuck desembarca hoje (2/03) em Brasília para sessão de autógrafos e lançamento de Toureando do diabo, livro realizado em parceria com a ilustradora e amiga Eva Uviedo. O encontro com o público está marcado para 29h, no Balaio Café (CLN 201 Bloco B Loja 19/31). O sexto livro de Clara retoma a história de Camila, personagem de Vida de gato, terceiro romance da escritora. Agora, Camila, que é escritora, passa por uma crise criativa e se isola no mato na tentativa de escrever um novo romance. A estratégia fracassa e ela precisa retornar à cidade, um espaço no qual se sente confortável e mais propício ao processo criativo, como ela acaba por descobrir.

A ideia do livro nasceu quando a própria autora foi passar um ano novo com amigas em Minas Gerais. “Fiquei imaginando que furada seria se eu fosse pra um mato escrever, porque eu preciso de vida, gente, eletricidade, esquinas, padarias, bares, enfim, esse tipo de isolamento não funciona pra mim”, conta. Um financiamento coletivo com apoio de 600 leitores em potencial ajudou a tocar o projeto, cuja ideia inicial era ser mais um romance com ilustrações.

Mas o livro atrasou e Clara se deu conta, seis meses depois, de que ela e Eva não precisavam seguir um modelo de romance. Decidiu então seguir por outro caminho. “Não tinha editora, não tinha impedimento nenhum, e foi quando começamos realmente a produzir juntas o que veio a ser o livro. Descartamos muito, mas muito texto, fomos buscar em bilhetes, em cadernos, em caixas coisas que se encaixassem naquela narrativa, que foi sendo costurada pelas ilustrações, que também mudaram dezenas de vezes. Foi um processo muito legal, mas poderia ter sido melhor se não sentíssemos uma pressão muito grande pra entregar logo o projeto”, conta.

Feminista assumida, uma das autoras do blog Lugar de mulher, Clara ficou conhecida quando seu primeiro romance, Máquina de pinball, ganhou uma montagem para o teatro e inspirou o filme Nome próprio, de Murilo Salles.

Por que escreveu Toureando o diabo?
Bom, porque eu sou escritora e é isso que eu faço, rs. Camila é uma personagem mulher com conflitos e questões e que está inserida neste mundo em que vivemos. Eu quis amadurecer uma personagem que eu já tinha e que apareceu nos meus dois primeiros livros, pois gosto demais dela e não queria que ela ficasse parada no limbo de 2001 dizendo que era uma “mulherzinha com bolas”, rs. Eu quis construir a Camila como uma mulher forte, mas humana, com fragilidades, que cai em cilada, que tomba e levanta, que faz besteira e se toca, que tem crises, enfim, uma mina com nuances e humanidade. Minha convivência com mulheres me fez ver que passamos por muitas situações em comum, muitas situações ruins, às vezes de abuso, e que sentimos vergonha por isso, tentamos até ignorar pra não ser tachadas de fracas, de “cheia de mimimi”. Saber que muitas mulheres passam por isso é ao mesmo tempo horrível e um alívio, pois sentimos que não estamos sozinhas, e essa foi uma das minhas intenções com o amadurecimento da Camila.

Como aconteceu a parceria com a Eva Uviedo? Como foi o diálogo entre vocês?
A Eva é minha parceira há anos, temos outro livro juntas, o Nossa Senhora da Pequena Morte, que pretendemos republicar, e ela fez as capas de todos os meus livros, mas o processo criativo desse foi diferente. Foi realmente uma coautoria. Foram noites e noites no estúdio dela cortando texto, pensando em desenhos, procurando em bilhetes e cadernos coisas que se encaixassem na narrativa que estávamos criando. Descartamos muito texto, acho até que dá pra dizer que algumas partes foram substituídas por desenhos. O livro fala muito de sentimentos e a Eva tem essa série que chama Sobre amor e outros peixes, que usa os seres do mar como analogias para as nuances e sutilezas que envolvem os relacionamentos humanos como amor, dependência, carinho, dominação, paixão, e essas analogias se entrelaçam de forma vital com o texto.

O que há de autobiográfico no texto?
É engraçado que eu escute essa pergunta há 15 anos, desde que comecei a publicar, e tantos outros escritores homens, que assumidamente usam a vida como matéria-prima, jamais tenham que responder isso. Não importa, importa? Um livro é um livro, a partir do momento em que está escrito é literatura e a última coisa que importa é se aconteceu ou não.

Muitos escritores escrevem sobre escritores que não conseguem escrever. Por que, na sua opinião, isso acontece na literatura?
Porque é uma meta linguagem massa. Escrever sobre não escrever é escrever, afinal.

+++ Leia na íntegra aqui

“TOUREANDO O DIABO” NA REVISTA TPM

Ainda na ficha técnica de Toureando o Diabo, novo livro de Clara Averbuck e Eva Uviedo, os dizeres: “Qualquer semelhança com seres vivos ou mortos é problema de vocês”. A obra, escrita em primeira pessoa, é mais um fluxo de pensamentos de uma personagem que poderia ser qualquer uma de nós. Afinal, quem nunca se viu acordando no sofá depois de uma noite com alguém meio desconhecido, se despedindo de um amor que mal começou, ou, então, querendo acabar logo com aquele date?

Não é a primeira parceria das duas, que lançaram juntas o Nossa Senhora da Pequena Morte, em 2008. As ilustrações de Eva conduzem a história de Camila com graça e simplicidade. A personagem, já conhecida das obras de Clara, é um alter ego da autora e aparece em seus primeiros romances em busca do amor, colecionando aventuras sexuais e conflitos interiores. Em Toureando, Camila revisita todos os escritos do passado e consegue enxergar onde amadureceu. Os relacionamentos, as decepções, a relação com o sexo a com a própria escrita são lugares por onde a personagem passeia.

Embora escreva em certo trecho que “as histórias das mulheres não importam”, Clara vê em suas palavras uma maneira de mudar essa realidade. “Eu sei que essas histórias importam, e muito. Quem diz aquilo é a personagem, num rompante de ‘não quero mais saber disso aqui’ ou ‘o que eu faço não vai servir pra nada’. O que ocorre é que a literatura feita por mulheres é sim tratada como algo menor, tão menor que merece seu próprio subgênero, ‘literatura feminina'”, diz.

Mais do que isso, a dedicatória do livro é para as minas – todas elas. As autoras ainda fazem questão de lembrar de todas as relações abusivas que as mulheres vivem nas mãos de homens babacas. “Quando falamos sobre isso, é ao mesmo tempo horrível e acolhedor. Horrível saber que existem outras mulheres que passam por isso, acolhedor porque sabemos que não estamos sozinhas. Assim conseguimos nos abrir, conversar e começar a mudar essa realidade. Manter as mulheres isoladas e inimigas é a melhor forma de manter as coisas como estão”, acrescenta Clara.

++ Leia aqui: http://revistatrip.uol.com.br/tpm/toureando-o-diabo-novo-livro-de-clara-averbuck-e-eva-uviedo

“TOUREANDO O DIABO” NO ESTADÃO

Em novo romance, Clara Averbuck recupera personagem feminista

Escritora aposta em outra parceria com Eva Uviedo

Guilherme Sobota, O Estado de S.Paulo

Camila começa Toureando o Diabo – o novo romance de Clara Averbuck, com ilustrações de Eva Uviedo, publicado recentemente de forma independente e com lançamento neste sábado, 20, em São Paulo – retirada em um chalé “no mato”, profundamente incomodada com barulho de cigarras que não a deixam escrever. “Por trás de toda grande mulher tem um homem para encher o saco e sugar sua vida e seu tempo”, reclama o alter ego da autora, que apareceu nos primeiros romances de Clara, lançados no início do século. E o livro, como a escritora deixa claro na dedicatória, tem um alvo certo: “Para as minas”.

Nos seus primeiros romances – Máquina de Pinball (2002) e Vida de Gato (2004) – a escritora fez a personagem ser “uma mulher forte, que se posicionava, não deixava nada barato e que ia atrás do que queria, porém, ela era construída para ser ‘diferente das outras’”, diz Clara ao Estado. “Agora, ela é construída para ser todas as outras.” Uma diferença fundamental que confirma a mudança da ficcionista e ajuda a pavimentar – por meio da arte – sua luta diária contra o machismo e a misoginia. E que sofre resistência, muitas vezes agressiva.

“Acho que (essa resistência) vem em parte por ignorância, porque as pessoas não sabem exatamente o que significa, acham que já está tudo resolvido e não precisa mais lutar por nada, e em parte porque vivemos em uma sociedade machista e misógina que não quer nem pensar em rever seus valores ou mexer em sua estrutura”, reflete a autora – ela criou e escreve regularmente para o site Lugar de Mulher, ministra oficinas de criação literária para mulheres, recentemente escreveu e lançou um documentário e mantém-se muito ativa nas redes sociais.

Questionada sobre o mar de ódio e preconceito que costuma correr em caixas de comentários e demais interações políticas na web, ela demonstra paciência. “O resultado positivo é muito maior do que qualquer infeliz que queira destilar seu ódio. Para cada pessoa triste que me xinga de feminazi tem 20 mulheres que se beneficiaram com algum texto. E os haters que se afoguem falando sozinhos com seu ódio, porque o problema deles comigo, evidentemente, é deles.” Evidentemente.

A questão das redes passa de raspão pelo romance, que, na verdade, é recheado de sexo – uma chave que a personagem aproveita para avançar e aprender entre um romance e outro, e que cria uma catarse, que, na verdade, também é política. “Ela é uma personagem com nuances; é forte, mas tem fragilidades e as expõe e isso está supervisível nos desenhos. A nudez da personagem tem mais a ver com essa transparência do que com nudez erótica”, diz Clara. “A personagem faz e pensa milhões de coisas em relação a tudo, inclusive sobre isso (sexo). Então no desenho tentei mostrar de uma forma sutil, não tem nada explícito”, explica Eva Uviedo, coautora, ilustradora nascida na Argentina e radicada em São Paulo há anos.

O livro nasceu de um crowdfunding – a vontade anunciada das duas autoras em ter liberdade total no processo de composição e edição do livro funcionou e o resultado as deixou “felicíssimas”, segundo Clara. O livro tem um formato quadrado e na interação contínua entre texto e ilustração mora um de seus grandes trunfos. A ausência de prazos e pressões de um editor possibilitou um trabalho mais concentrado no processo artístico. O desafio, agora, é a logística de vendas e distribuição.

“Estamos vendendo no site (evauviedo.com.br/toureandoodiabo), vamos vender em algumas feiras independentes, não vamos distribuir da maneira tradicional”, explica Clara. “Só neste mês que estive com o livro na mão e passei um dia na Feira Plana já ganhei mais do que com os seis primeiros meses do meu último romance. É outra lógica.” Algumas de suas contas, diz, já serão pagas com o dinheiro do livro – cenário pouco frequente quando se trata de literatura contemporânea no Brasil. A tiragem é de 3 mil exemplares.

“O mercado todo está em transformação. Assim como tem esse movimento de autores e pequenas editoras, há uma cena se formando com feiras e livrarias especializadas em publicações independentes, como a Banca Tatuí e a Monkix, que cobram taxas muito mais razoáveis e têm uma relação melhor com o autor”, analisa Eva.

Ela explica também que o projeto vai se desdobrar para outros suportes com uma parceria com a loja online Divindade, como papel de parede, quadros e outros objetos relacionados à obra.

LANÇAMENTO: TOUREANDO O DIABO

Sábado dia 20/2 lanço o livro que fiz em parceria com a escritora Clara Averbuck. É uma coautoria onde texto e imagens juntos contam uma história (tipo quadrinhos só que não é, tipo livro infantil ‪#‎sqn‬) e olha: foi bem louco fazer. Até porque a gente tinha 100% de liberdade (foi financiado através do Catarse) e demorou porque somos geminianas indecisas e basicamente a gente aprendeu a fazer fazendo e fez a coisa toda acontecer. E não é pouco, sabe.

Então bora prestigiar azamiga nesse eventinho? Conta ainda com a discotecagem da Flávia Pithágoras De Freitas Durante, vai ter exposição dos originais, flash tattoo com desenhos do livro, bebidinhas etc e tal, o lugar (Elevado) é massa e vai ser muito legal.

https://www.facebook.com/events/931610433602510/

‪#‎borala‬ ‪#‎confirmae‬ ‪#‎divulgae‬

LUGAR DE MULHER

O Lugar de Mulher, projeto da minha eterna parça Clara Averbuck e as mina papo reto Mari E. Messias e Ana Paula Barbi, completa um ano hoje. O site fala de mulher pra mulher que não se interessa só por roupa, cabelo, maquiagem, filhos e enlouquecer seu homem em 16 passos; e entende que feminismo não precisa ser teórico, acadêmico, dogmático, e sim libertador. É sobre questionar, se respeitar, exigir respeito, ter prazer em ser o que é, é sobre achar seu lugar no mundo, que é: o mundo todo. Onde ela quiser.

Longa vida a esse lugar.

Pra comemorar o aniversário o site lançou hoje um ebook com uma seleção dos melhores textos do site – e é uma honra dizer que a a capa traz um desenho meu Emoticon smile

TOUREANDO O DIABO, A SAGA

Esse projeto está demorando um pouco mais que o previsto, mas é que foi indo foi indo e a gente foi se empolgando e enchendo tudo de desenhos, escritos e no fim acho que esse livro da @caverbuck tá ficando MUITO LOKO e bem massa, cês não perdem por esperar