INCÊNDIO

“Meu nome é Zelda. Alguns de vocês já devem ter ouvido falar de mim. Ou não, é claro. Porque, oficialmente, estou morta. Há anos. Muitos anos. Um trágico acidente envolvendo um incêndio. Depois falamos sobre isso; o que preciso contar aqui é uma história que talvez jamais devesse ser registrada. Consegui, afinal, manter este improvável segredo até meu leito de morte, minha verdadeira morte. Imagino que seja ela chegando agora, as mãos manchadas, os ossos e articulações já não reagindo como antes, as dores, a lentidão, a fraqueza. Mas a mente está intacta. As memórias também. Talvez sejam invenções. Já não faz mais diferença. Depois da morte, tudo é ficção.”⁠
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O projeto FOLHETIM do @SescPompeia é um experimento literário que convida escritores a criarem narrativas inéditas.

Fui convidada a ilustrar o conto “Incêndio”, de Clara Averbuck @caverbuck que vai ser publicado em seis episódios, sempre às quartas-feiras e já está no ar o capítulo 1: Vida Nova no Medium do Sesc

Leia aqui: ⁠
https://folhetimsescpompeia.medium.com/⁠

SESC – 70 ANOS DE TURISMO SOCIAL

Ó que luxo, acaba de chegar em casa esse trabalho que fiz para o Sesc Osasco em comemoração aos 70 anos de suas ações em Turismo Social.

A ideia era fazer uma série de cartões postais com pontos conhecidos da cidade de Osasco (SP), como antigamente: “Em um tempo em que viajar e fotografar eram atividades acessíveis a poucas pessoas, os postais foram um meio de enviar notícias e guardar recordações de lugares visitados. Resistiram às mudanças sociais e tecnológicas e nos chegam hoje pelas telas inteligentes de nossos celulares e computadores (…)

Compartilhando a experiência vivenciada por cada um, visitantes e visitados podem descobrir riquezas e desafios provocados peLos encontros que as viagens, em seu movimento perene de ir e retornar, proporcionam.

Como diz a canção, ‘partir é uma arte que faz tudo ser recordação’.”

Veja todos os postais aqui: https://www.evauviedo.com.br/postais-70-anos-de-turismo-social-sesc-osasco

Literatura de elevador

Amanhã, dia 08/10, começa em São Paulo a Mostra Sesc de Artes. De periodicidade anual, em 2005 o tema era o Mediterrâneo, em 2003, Latinidades, em 2007, Circulações.
Este ano a proposta é Multiplicidade.

Com a palavra, os organizadores:

“A soma de experiências vividas nas edições passadas levou a equipe à questão-síntese da mostra: quais são os lugares da arte contemporânea? Percebemos que são vários; Vimos que a arte se manifesta nos espaços tradicionais e na ocupação de espaços não usuais. (…)

Pensando no deslocamento dos espaços tradicionalmente dedicados às artes e no estímulo a diferentes níveis de fruição, a edição 2008 da Mostra Sesc de Artes traz como elemento inspirador a busca por ações artísticas em distintas dimensões: desde ocupações em macro escala, dialogando com a arquitetura das unidades e espaços urbanos, até ações de pequeno porte, que valorizem ocupações não-usuais.”

Tudo isso é pra dizer que vai ter manifestações artísticas para todo lado. Bebedouros, elevadores, guardanapos, paredes, tetos, chão:

“É muito importante você poder se deparar com uma obra de arte na rua, que não tenha aquela aura de monumento, algo distante das pessoas.”

Aí falou minha língua. Arte acessível, desmistificada, fora da moldura, desfrutável, gostosa, espalhada por todos os lugares, macia como um gato? Adoro. Pode passar a mão, encostar a bunda, pisar em cima, derrubar água, levar pra casa? Pode.

Daí que o Sesc convidou a escritora e amiga Clarah Averbuck a “libertar o seu texto do suporte livro, para que seja usado em meios não-usuais”; e ela me indicou pra ilustrar, oba.

E o texto que ela escreveu pra ocasião fala coisas que eu muito concordo: de como São Paulo é uma merda mas é legal, e de como a gente não troca isso aqui por nada, de como ficar em casa é uma delícia, e tem os gatos e violão e delivery.

E no desenho tem tudo isso e tem o sofá vermelho alado, e tem prédios flutuantes, e ficará estampada por dez dias nas paredes do elevador de aço do Sesc Pinheiros e vai ficar lindo lindo lindo e eu quero que todo mundo vá lá ver, até porque no elevador do lado vai ter uma ilustra do meu amigo e sócio Kerges que com certeza também vai ser foda; e de quebra bora comer um sanduíche de berinjela na Comedoria por módicos quatro reais – uma verdadeira obra de arte acessível a todos.

Negózdi Sesc. Artes visuais. Intervenção. Reflexão em meio ao fluxo.

Me segura, eu tô ADORANDO.